Ricardo Wagner

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Nunca Foi Sobre Tecnologia: por que escrevi este livro

Por Ricardo Wagner ·

Ricardo Wagner segurando o livro Nunca Foi Sobre Tecnologia

O sucesso da inteligência artificial nunca foi sobre tecnologia. Escrevi um livro inteiro para defender isso, e este texto explica por quê.

No dia 5 de novembro, quinta-feira, às 19h, faço a noite de autógrafos de Nunca Foi Sobre Tecnologia na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo. A entrada é livre. Antes de você decidir se vai, quero contar o que o livro é, o que ele não é e de onde ele vem.

Em 2012, todo mundo viu produtividade. Eu vi autonomia.

Quando os primeiros serviços cognitivos de inteligência artificial apareceram, a conversa nas empresas era uma só: produtividade. Fazer mais, mais rápido, com menos gente. Eu vi outra coisa. Uma máquina capaz de descrever uma imagem devolve o mundo a quem não enxerga. Uma máquina que transcreve a fala devolve a conversa a quem não ouve. Aquilo mudou o rumo da minha carreira. Entrei de cabeça na jornada da acessibilidade. Em 2019, fui um dos vencedores globais de um hackathon da Microsoft, e o projeto virou um aplicativo de apoio a pais de crianças com epilepsia. Depois, fui Accessibility Lead em Toronto.

Foi ali que aprendi o que o livro inteiro defende. O recurso desenhado para quem enxerga mal serviu a uma mãe exausta, de madrugada, monitorando crises. Não era sobre deficiência. Era sobre contexto real. O que a tecnologia faz de melhor nasce quando alguém pensa primeiro em quem o sistema esqueceu.

Anos depois, a IA generativa escalou essa visão e trouxe a pergunta que organiza o livro: quando delegamos decisões às máquinas, quem está realmente decidindo?

Minha tese de hoje cabe em uma frase: o maior desafio desta era não é tecnologia, é a maturidade humana para acompanhar tanta transformação. A máquina avança em semanas. Cultura, confiança e responsabilidade avançam em anos. A distância entre as duas velocidades é onde as empresas se perdem, e é onde o livro trabalha.

O que 25 anos dentro da tecnologia me ensinaram sobre a tecnologia

Trabalhei na HP e na Microsoft. Morei no Canadá. Em 2023, assumi a adoção do Copilot nas Américas. Em todos esses lugares, vi a mesma cena se repetir: a empresa compra a ferramenta, treina o time para clicar e se pergunta por que nada muda.

Nada muda porque a tecnologia é espelho e amplificador da cultura que já existe. No livro, escrevi: a inteligência artificial não corrige o caráter da organização; ela simplesmente o escala. Onde há cultura do medo, a IA aprende a vigiar melhor. Onde há ranking, ela classifica com mais precisão. Onde ninguém sabe quem decide, ela decide por todos, em silêncio.

O livro começa com um piloto que não existia. Nos anos 1950, a Força Aérea dos EUA descobriu que nenhum de 4.063 pilotos cabia na média de dez medidas, e a solução foi ajustar a cabine, não o piloto. Dali, a história passa pelas médias que organizam o mundo, pela tribo algorítmica, pela inovação que nasce no extremo, pelo líder humano e ambidestro, pela privacidade como poder e pela era da hiperpersonalização, até a pergunta final que dá nome ao livro.

Vale dizer o que ele não é. Não é um manual técnico. Não é uma lista de ferramentas que vão envelhecer em seis meses. Não é um livro apocalíptico: a escolha, no fim, continua sendo nossa. É uma conversa honesta, de quem viu por dentro, sobre o que estamos normalizando sem perceber.

O livro também não pede que você largue a tecnologia. Pede o contrário: que você a use com os olhos abertos. Eu uso IA todos os dias, no meu site, nos meus materiais, nas minhas aulas. O que mudou foi a lista do que eu não delego: a pergunta que abre uma conversa, o julgamento sobre uma pessoa, a decisão que tem consequência. Cada leitor precisa escrever a sua lista, e o livro é um convite para escrevê-la.

Se você quiser uma ação para segunda-feira, ela cabe em uma pergunta: pegue uma decisão que você vem entregando a uma ferramenta e pergunte quem a assina. Se a resposta for "ninguém" ou "não sei", o livro foi escrito para você.

Uma noite para conversar: 5 de novembro, na Travessa do Iguatemi

Eu poderia lançar o livro só pela internet. Prefiro uma livraria, porque a pergunta que ele faz funciona melhor olhando para a pessoa ao lado.

Quando: quinta-feira, 5 de novembro de 2026, às 19h.
Onde: Livraria da Travessa, Shopping Iguatemi. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2232, São Paulo.
Como: entrada livre. Eu autografo o seu exemplar e a gente conversa.
Um detalhe: quem confirma a presença ganha um marcador de livro.

A noite é simples: autógrafo, conversa e a chance de olhar nos olhos de quem também está se perguntando quem decide. Se a conversa render, ela continua na Terça de Manhã, o e-mail semanal que mando sobre IA sem terceirizar o pensamento.

Você não precisa ter lido o livro. Precisa ter a pergunta. Se você lidera pessoas, escolhe tecnologia ou vive tentando entender o que a IA está fazendo com o trabalho, venha. Traga também quem precisa dessa conversa: o colega que ainda acha que isso é assunto da área de tecnologia, o diretor que comprou licenças e quer saber por que o resultado não veio.

Confirmar presença na noite de autógrafos

Se não puder ir, conheça o livro na página do livro ou compre na Amazon. O convite continua valendo: quando você terminar de ler, me conte qual decisão você passou a assinar.